quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

R$ 1.000.000,00 (Hum Milhão de Reais mentalmente e de ficção) quem conseguir responder esta pergunta? por que é mais difícil ver uma foto na imprensa de Dalva da Costa Santos, a copeira assaltada, do que uma do Saci Pererê?

Coluna

Rodrigo Constantino

Análises de um liberal sem medo da polêmica

Dalva: a face oculta da imprensa. Ou: Negra é a cor da ideologia

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O caso do ator Vinicius Romão, preso injustamente após ser confundido com o ladrão pela própria vítima, a copeira Dalva, continua tendo forte repercussão. O ator esteve no programa de Fátima Bernardes na TV Globo, e conversou por telefone com Dalva, a quem disse não guardar rancor e perdoar. Atitude nobre, como a de seu pai, que havia dito o mesmo antes.
 
Mas parte da imprensa e dos movimentos “sociais” quer sangue. Como abutres, buscam carniça em todo lugar, e vislumbraram no lamentável episódio uma incrível oportunidade de disseminar todo o seu rancor, apelando para a cartada racial – que muitas vezes trai um racismo às avessas. Tentaram, durante a primeira entrevista do ator, por três vezes forçá-lo a falar de racismo, coisa que ele habilmente evitou.
 
Gustavo Nogy, em sua página do Facebook, fez uma ótima análise da situação:
 
VINÍCIUS ROMÃO, ator, foi preso há duas semanas sob suspeita de ter roubado e agredido Dalva Maria da Costa, na zona norte do RJ. A vítima acreditava ter reconhecido, no ator, o criminoso: mesma cor de pele, mesmo tipo de cabelo. Ocorre que o suspeito é negro e, subitamente, o país começa a arder em indignações. O inclassificável Jean Wyllys decreta: “O crime dele é ser negro”, e exige a imediata liberdade do rapaz. Amigos exigem liberdade. Apresentadores de telejornal exigem liberdade.
 
A depender das boas almas, todo negro suspeito só é suspeito por ser negro e – ipso facto – deveria ter sua liberdade assegurada sem demais averiguações. Se para uns – os brancos, os maus – ele é criminoso por ser negro, para outros – as boas almas, negras ou não – ele é inocente por ser negro. Negra é a cor da ideologia. 
 
Duas semanas se passam e a vítima reconhece a confusão. Em novo depoimento, retira a acusação e confessa ter se enganado. Vinícius Romão está livre. Enquanto a militância se desfaz em esgares e contorcionismos ideológicos e exige retratação da vítima, das autoridades, dos brancos, das capivaras, uma outra figura aparece em cena: Jair Romão, pai de Vinícius. E diz o seguinte: “Não ficou mágoa em relação a ela [Dalva]. Qualquer um pode se confundir, ela foi assaltada, estava sob forte estresse emocional. Sinceramente, não considero preconceito. A vítima descreve um homem com as mesmas características de Vinícius, um homem negro com cabelo black power, a polícia procura dentro das características que a vítima informou, se fosse um branco, um moreno, ia dar no mesmo”.
 
A resposta é de uma nobreza desconcertante. Militantes, como babuínos, às voltas de Vinícius com a fome e a sede de quem quer ter um exemplar à mão. E o pai de Vinícius, com sabedoria digna de almas realmente decentes, frustra a todos. Cor de pele realmente não é, nem nunca foi, signo de bom ou mau caráter. No entanto, quem sabe disso não são os militantes capitaneados por Jean Wyllys, mas o pai negro do ator negro que teria todos os motivos do mundo para trombetear a injustiça. E, dignamente, não o fez. Como a boa alma que verdadeiramente é, ao contrário daquelas outras boas almas que, convenhamos, nunca verdadeiramente o serão.
 
Com isso tudo em mente, surge uma pergunta incômoda que não sai da cabeça: por que é mais difícil ver uma foto na imprensa de Dalva da Costa Santos, a copeira assaltada, do que uma do Saci Pererê? Dalva é mais invisível para a imprensa do que o personagem criado por H.G. Wells. Ninguém conhece sua face!
 
A GloboNews fez uma simulação do assalto mostrando no desenho uma moça branca. Será? Ou será que se mostrarem uma mulher negra o burburinho todo de racismo, que a própria vítima presa injustamente rejeita, ficaria murcho e prejudicado?
 
Rodrigo Constantino
 

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