Em primeiro lugar, não foi Hollande que ganhou as eleições francesas: foi Sarkozy que as perdeu. Se tivessem colocado outra pessoa qualquer no lugar de Hollande, também teria ganho as eleições. Sarkozy só se pode queixar de si mesmo, da sua incapacidade de libertar a sociedade francesa da tutela do Estado, do seu messianismo absurdo e do seu culto de personalidade narcisista.
Quem ganhou as eleições francesas foi, também, Zapatero a título póstumo que, por sua vez, tinha ganho as eleições em Espanha devido ao ataque terrorista da Al-Qaeda de 11 de Março de 2005 em Madrid. Em França, temos hoje todas as desgraças ao mesmo tempo: ataques terroristas islâmicos, multiculturalismo sem controlo, problemas na economia, dívida pública alta, dependência do Estado, questionamento do significado da União Europeia, etc..
Por ironia, com a eleição de Hollande saiu tudo ao contrário: a incerteza na Europa aumentou com a sua eleição, o que confirma o princípio de Murphy aplicado à União Europeia. As bolsas europeias estão em queda acelerada. E depois do Merkozy, temos o Merkollande. Viró disco e toca o mesmo.